Angola passou a presidência rotativa da União Africana ao Burundi em fevereiro, na 39.ª cimeira de Adis Abeba. Um balanço de um mandato marcado pela diplomacia de pacificação e pelo conflito no leste da RD Congo.
Na 39.ª cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada a 14 e 15 de fevereiro de 2026 em Adis Abeba, o Presidente João Lourenço passou a presidência rotativa da organização ao Burundi, encerrando um ano de forte exposição diplomática para Angola.
Da mediação à presidência
Desde 2022, Luanda tinha sido o principal palco das negociações sobre o conflito no leste da República Democrática do Congo, com João Lourenço designado mediador da União Africana para a questão entre a RD Congo e o Ruanda. Ao assumir a presidência da organização, Angola anunciou que deixaria esse papel para se concentrar no mandato continental, e o Presidente propôs o seu homólogo do Togo como sucessor na mediação.
Uma diplomacia de pacificação
Analistas descrevem o mandato como uma combinação de diplomacia de pacificação e de afirmação: a aposta em soluções negociadas para os conflitos regionais e a projecção de Angola como interlocutor entre África e os grandes parceiros internacionais. Em fevereiro, Angola recebeu ainda mandato para iniciar consultas com as partes congolesas com vista a um diálogo inter-congolês.
O corpo diplomático acreditado em Luanda destacou a liderança de Angola em África e o seu contributo para soluções pacíficas.
Para quem estuda relações internacionais, o ano angolano na União Africana é um caso prático de como um país de média dimensão usa a mediação e a presidência de organizações regionais para ganhar peso diplomático.
Fontes
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